Gestão de carteira: como criar um portfólio de investimentos

Um investidor normalmente terá não apenas um ativo ou uma classe de ativos em seu portfólio e sim uma carteira de investimentos

Deve-se entender que os retornos gerados ao longo do tempo dependem muito mais da classe dos ativos que você possui do que da seleção específica de um ativo. Sendo que alguns estudos chegam a sinalizar que mais de 90% dos retornos de um portfólio diversificado advém do asset allocation (classes de ativos alocados) e não da seleção de papéis.

Dessa forma, para um investidor é muito mais importante o processo de montagem de um bom portfólio do que a seleção minuciosa e cuidadosa de ativos específicos. Além disso, a gestão de carteira é fundamental para ter sucesso nos investimentos.

Dito de outra forma, deve-se gastar muito mais tempo entendendo e ajustando o quanto investimentos em cada classe de ativos (renda fixa, crédito, alternativos, renda variável, multimercados) do que se gasta na seleção de ativos dentro de cada classe.

Para se criar uma carteira de investimentos é necessário balanceá-la de maneira diversificada de acordo com seu perfil de investidor. A alocação pode ser feita em diversos ativos como: Renda Fixa, Renda Variável, Fundos Multimercado, Fundos Imobiliários ou mesmo investimentos alternativos.

Como balancear uma carteira de investimentos

Balancear uma carteira de investimentos não é uma tarefa tão simples quanto escolher bons ativos. Deve-se levar em consideração vários pontos traçando um perfil do investidor, que faça com que os seus investimentos em prazo desejado possam retornar da maneira que se espera.

Dessa forma, o primeiro passo na construção de uma carteira é a definição deste perfil do investidor sendo que este é determinado por diversos fatores: propensão a risco, prazo do investimento, objetivos financeiros, conhecimento, idade, fonte do patrimônio.

Propensão / aversão a risco – quanto de risco você tolera. Talvez a melhor forma de pensar em risco é pensar qual a maior queda da sua carteira em um mês que você tolera (nenhuma queda, 1% de queda, 5% de queda). Outra forma é avaliar qual sua reação a um resultado ruim. Você resgata imediatamente o recurso ou se mantém investido de acordo com a estratégia?

Prazo: fator muito determinante, pois recursos de curto prazo devem majoritariamente ser aplicados em renda fixa com liquidez diária, para não existirem surpresas negativas. Quanto maior o prazo do investimento, mais graus de liberdade em tomada de risco podemos ter. Dinheiro investido é dinheiro no risco, o que significa dizer que quantias que precisam ser utilizadas no curto prazo devem ter liquidez e risco zero, por isso a renda fixa.

Objetivos financeiros: não adianta nada montar um portfólio que não possa atingir seus objetivos financeiros. Dessa maneira, precisamos entender qual é um cenário razoável dos retornos esperados e se precisamos adequar ou não as expectativas da carteira. 

Idade: não é determinante, mas é comum e prudente que pessoas mais idosas tenham menor tolerância a risco. 

Como determinar a participação / composição das classes de ativos?

Primeiro passo é determinar um nível de volatilidade alvo ou um nível máximo de perda em um mês. Esse é o passo chave para entender a contribuição de risco e retorno de cada classe de ativos. A partir de um nível de volatilidade determinado, deve-se buscar qual a combinação ótima de ativos que me entregam o melhor retorno ajustado pelo risco (conhecido como índice de Sharpe). 

Esse processo de otimização é relativamente simples com excel ou alguma ferramenta de portfólio, mas ele apresenta problemas: as carteiras geradas muitas das vezes não apresenta estabilidade temporal, olha apenas para o passado e pode sugerir portfólios muito concentrados.

Existem alguns remédios simples para permitir uma alocação eficiente como limitar a concentração por ativos e classes ou até métodos mais sofisticados de alocação que levam em conta o retorno esperado futuro na alocação. Em palavras mais diretas, a solução para o ajuste da carteira passa por determinar limites à participação de ativos na carteira (o que ajuda na diversificação) bem como olhar para o futuro, tentar entender qual o retorno esperado de um ativo para que ele possa compor seu portfólio.

Feitos todos esses passos, é hora de simular essa carteira para entender o comportamento da mesma nos diversos momentos do ciclo de mercado, seja com mercado expandindo (bull market), seja nas crises e entender se o perfil de risco / retorno lhe parece adequado. 

Indicadores para se acompanhar em um portfólio:

  • Drawdown: é o tanto que uma carteira cai em relação à sua cota máxima anterior. É uma métrica relevante para entender qual é o cenário de perda que pode se materializar na sua carteira;
  • Sharpe: mede quanto é seu retorno por unidade de risco (volatilidade) tomado. É uma medida de eficiência, quanto mais eficiente melhor;
  • Alfa: retorno acima do índice de referência – benchmark (exemplo: CDI, Ibovespa, IMA-B);
  • Volatilidade: quanto o seu portfólio está exposto às variações do mercado. É uma medida de risco, mas que não engloba todo o conceito de risco. Por exemplo, o risco de crédito muitas vezes não se materializa em volatilidade. Fica “escondido” até que um evento de crédito ocorra, de forma que tomar o risco como volatilidade provavelmente subestime o nível de risco do seu portfólio.

É prudente rebalancear a carteira de tempos em tempos quando a estratégia de investimentos se desenquadrar, isto é, os indicadores utilizados para montar a estratégia não forem respeitados.

Este artigo tratou resumidamente sobre método para criar um portfólio de investimentos de acordo com o perfil de investidor e as métricas para acompanhamento. Quer se aprofundar? Faça parte da Investfy e troque conhecimentos e experiências com outros investidores e especialistas. Cadastre-se aqui.

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